Educação física e psicologia para crianças em situação de vulnerabilidade social

Educação física e psicologia para crianças em situação de vulnerabilidade social

Projeto Desenvolvimento Integral na Primeira Infância estimula desenvolvimento psicomotor de crianças em vilas de Porto Alegre

Educação física e psicologia para crianças em situação de vulnerabilidade socialA primeira infância – dos 0 aos 6 anos – é um período primordial para o desenvolvimento dos seres humanos. Um exemplo disso é que o cérebro infantil é duas vezes mais ativo do que o de um adulto. Os neurônios formam de 700 a mil novas conexões por segundo nessa faixa etária. Por isso, estimular as crianças neste período é primordial.

No Projeto Desenvolvimento Integral na Primeira Infância, crianças em situação de vulnerabilidade social com faixa etária de 0 a 6 anos são atendidas por um educador físico, como forma de incentivar seu desenvolvimento psicomotor. Além disso, o projeto também conta com uma psicóloga que atua no desenvolvimento e aprendizagem na infância, abordando e trabalhando a importância das relações entre a escola, os educadores e a família, detectando impasses no desenvolvimento biopsicossocial e realizando os encaminhamentos necessários.

Atualmente, 446 crianças são atendidas pelo projeto, que tem apoio do Instituto Cyrela. Elas estão subdivididas em cinco unidades educacionais de Educação Infantil do Centro de Promoção da Infância e da Juventude (CPIJ) em diferentes bairros de Porto Alegre (RS). Dentre as instituições, estão Escola de Educação Infantil Jesus Menino, Escola de Educação Infantil Nossa Senhora das Graças, Escola Comunitária de Educação Infantil Eni Medeiros, Escola de Educação Infantil Capela Navegantes e Escola de Educação Infantil Dom Dadeus Grings.

“São crianças em situação de vulnerabilidade social. Existem muitas situações familiares – há pais que estão presos, há a questão do tráfico, prostituição, uso de drogas, entre outros problemas. Elas chegam com uma bagagem muito pesada nas escolas, algumas apresentam muitas questões de agressividade de comportamento. Com isso, vimos essa necessidade com relação à presença de um profissional de psicologia. Também temos o lado de estimular os bebês, até porque alguns deles moram em lugares em que não há áreas de lazer. É uma vivência que eles não tinham. Foi daí que veio a motivação para criar o projeto”, comenta Karine Silveira dos Santo Arceno, coordenadora Pedagógica da Educação Infantil.

Uma vez por semana, o educador físico trabalha em cada unidade escolar que participa do projeto. Ele atende todas as turmas da escola durante o dia, com uma carga de 8 horas diárias. Neste período, ele realiza atividades de expressão corporal, ginástica, estimulação dos bebês e brincadeiras.

“O profissional trabalha a estimulação para caminhar e para a coordenação motora. Temos bebês e alunos de inclusão, crianças com algumas dificuldades. O educador físico também realiza um trabalho em conjunto com as nossas educadoras. Como pretendemos sustentar esse projeto por mais tempo, procuramos disseminar isso em nosso quadro de educadoras, para que elas possam multiplicar esse conhecimento nos dias em que ele não está na escola”, conta Karine.

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A psicóloga, por sua vez, vai uma vez por mês em cada espaço e faz orientações com as famílias e com as educadoras. Ela realiza entrevistas de anamnese com as famílias, acompanha o desenvolvimento dos bebês e crianças, orienta as famílias quanto ao desenvolvimento e as interações infantis, passa para os educadores estratégias de manejo com os alunos, além de ministrar espaços de formação aos educadores sobre temas pertinentes ao trabalho diário.

Educação física e psicologia para crianças em situação de vulnerabilidade social

Todo este trabalho é inspirado na pedagogia calabriana. “Não passamos nenhuma religião para as crianças, mas temos o nosso fundador, que é São João Calábria e ele se baseia nos princípios de ver (perceber o outro), inclinar-se (colocar-se junto ao outro, no mesmo nível, para ouvi-lo melhor), sacudir (respeitar o outro com sua história, mas, ao mesmo tempo, despertá-lo para a descoberta de potencialidades adormecidas), reconhecer (a dignidade e os direitos de cada pessoa) e acolher (receber, compreender e aprender, dar a todos oportunidades iguais). O que priorizamos é passar e cultivar estes valores para as crianças. Olhar e inclinar-se para elas, com um olhar diferenciado. O sacudir também abrange os estímulos que proporcionamos – especialmente às famílias, apresentando-as a uma outra realidade de mundo”, define Karine.

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Resultados colhidos

Para Karine, o apoio do Instituto Cyrela é fundamental para poder dar o suporte às 446 crianças. “Se não tivéssemos esse apoio, não conseguiríamos ter esse atendimento diferenciado, nem oferecer esse suporte para as crianças. Estamos conseguindo atingir o objetivo proposto graças ao Instituto Cyrela”, destaca Karine.

Todo este trabalho vem gerando grandes melhoras na comunidade. Karine aponta que as atividades pedagógicas com o educador físico vêm promovendo uma evolução na coordenação motora, em atividades como recortar, equilíbrio e circuitos. “Nas crianças de 0 a 1 ano, temos turmas em que todos os bebês já estão caminhando. Geralmente, alguns demoram um pouco mais, mas já temos conseguindo perceber essa evolução”, declara Karine.

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Outro benefício proporcionado pelo projeto é que as famílias passaram a ver a escola como local de proteção e acolhimento, com o qual elas podem contar. “Às vezes, acontece determinada situação em casa e elas já nos procuram para agendar com a nossa psicóloga”, revela Karine.

O trabalho com a psicóloga também é fundamental para a equipe de educadoras. “Ela dá um suporte muito bom para as nossas educadoras, no atendimento e manejo das crianças. Ela traz um olhar diferenciado. Muitas vezes, elas acabavam ficando estressadas ao lidar com todas essas situações, e elas precisam estar calmas para resolver estas questões”, conclui Karine.

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